Quando alguém fala em pescado, a imagem que vem à cabeça é o mar. Mas a maior parte do peixe
que o paulista come hoje nasce em tanque, no interior do estado. São duas realidades muito
diferentes — e as duas sofrem do mesmo problema: falta de quem fale por elas.
A piscicultura do interior
São Paulo produziu 93,7 mil toneladas de tilápia em 2025, um salto de 54% em um ano,
que colocou o estado como segundo maior produtor do país. Por trás desse número há milhares
de pequenos e médios produtores, quase sempre familiares, tocando tanques em cidades onde
essa é uma das principais atividades econômicas.
A pesca do litoral
Do Litoral Norte ao Vale do Ribeira, comunidades vivem de pesca artesanal e industrial há
gerações. Enfrentam mar, custo de combustível, regras que mudam e concorrência de produto
sem origem. Muitas dessas famílias nunca tiveram um representante que conhecesse o ofício.
A indústria e a distribuição
Entre o produtor e o prato existe uma cadeia inteira: entreposto, frigorífico, câmara fria,
transporte, box de mercado, peixaria e feira. É onde está a maior parte dos empregos formais
do setor — e é a parte que menos aparece em qualquer debate público.
O CEAGESP — o coração do abastecimento
O Entreposto de Pescados de São Paulo, dentro do CEAGESP, é o
maior mercado atacadista de pescado da América do Sul: mais de
40 mil toneladas por ano e cerca de 100 espécies, entre água salgada e água doce.
É por ali que passa boa parte do peixe que chega à mesa do paulista — e é ali que
Zé do Peixe trabalha há mais de 15 anos.